O humano do mundo


Estamos há quase dois anos num ambiente de crise sanitária, e o que me chama atenção – para além do fato de saúde pública – é como essa vivência tem acelerado diversas mudanças, com impacto dos mais diversos.

Não há dúvida de que muitas das dinâmicas de trabalho, com a chegada do home office, foram alteradas de forma muito rápida – diria até que abrupta – e que está em curso uma mudança cultural sem precedentes. Difícil crer que a celeridade das mudanças seria a mesma sem a situação de pandemia. As ferramentas estavam disponíveis, mas não havia um sentimento de urgência quanto à aplicabilidade imediata.

Digamos que o cenário real impôs novos e relevantes desafios, e empresas e profissionais foram à luta! Os empreendedores são assim, eles vão revisitar as condições objetivas e sair delas mais fortalecidos, com novas ideias e prontos a ofertar seus produtos e serviços.

Não há como não questionar, porém, que as PMEs normalmente têm mais dificuldades para eventualmente ajustar rota e seguir uma caminhada sustentável. São inúmeros fatores que podem contribuir para os descaminhos de uma PME, o principal a falta de preparo e visão de longo prazo do próprio empreendedor, seguindo falta de condições estruturais, fluxo de caixa e estar aberto a revisão contínua do negócio – tendo como foco o atendimento integral das necessidades de seus clientes.

Acho que aqui vale um ponto de reflexão. Recentemente li o livro “O Humano do Mundo – Diário de uma psicóloga sem fronteiras”, de Débora Noal. O prefácio da edição diz “o que você lerá a seguir é palavra encarnada e cabe a cada um a escolha de derrubar fronteiras que o apartam do mundo”. Este livro traz a extraordinária trajetória de Débora na missão humanitária Médicos Sem Fronteiras.

A leitura passa uma clara visão sobre as questões humanitárias, inclusive as que passamos no Brasil, e o que temos feito para solucionar a situação de miséria de tantos brasileiros. Um aspecto ficou muito claro para mim: coragem é a palavra-chave para ultrapassar barreiras e cumprir missões, como a de Débora e de tantos outros, seja a de um professor em sala de aula ou de um agente de saúde cuidando de famílias carentes.

Não vou negar que durante estes dois anos de pandemia e tantos outros antes dela, por conta de alguns obstáculos, pensei em desistir, mas sempre me voltei para a missão da TÉCNICA como negócio me convenci de que ela está acima de meus desejos e necessidades, ela, a TÉCNICA, já é um organismo vivo, social e econômico necessário ao país por gerar empregos, prestar serviços aos clientes e gerar negócios aos parceiros e fornecedores. A pequena empresa gera riqueza ao país e aos seus cidadãos, e o empreendedor e seus desejos não podem estar acima disso.

Indico fortemente a leitura deste livro, sensível e esclarecedor sobre muitas coisas, mas principalmente pela coragem; fator fundamental para sermos verdadeiros empreendedores.

 

Suely Dias dos Santos

CEO da TÉCNICA Gestão Documental